FPI do São Francisco visita Casa de Axé em Santana do Ipanema (AL)

Mais um terreiro de religião de matriz africana foi visitado pela Equipe 10 da 9ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco, no município de Santana do Ipanema (AL). Coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF), a equipe Patrimônio Cultural/Comunidades Tradicionais esteve, na última terça-feira (13), na Casa de Axé Santa Bárbara, a fim de verificar se estão sendo respeitados e protegidos pelo poder público.

Comunidades tradicionais de matriz africana, como é o caso de terreiros, são fundamentais para que o brasileiro entenda seu processo de formação, bem como para que história do povo negro seja recontada.

A Casa de Axé Santa Bárbara tem como ialorixá Mãe Cristina. Atualmente, além dos atos e rituais próprios da umbanda e do candomblé, oferecem também o projeto Girassol, voltado à iniciação musical de crianças da comunidade. No local são oferecidas, ainda, refeições quando há algum recurso financeiro disponível.

“No nosso bairro não há escola, posto de saúde e nem mesmo uma praça. Se não abraçarmos essas crianças, o que será do futuro delas?”, questionou a mãe de santo sobre o bairro Alto Santa Luzia. Entre as crianças acolhidas no projeto musical, há aquelas que precisam de medicação psiquiátrica, mas, segundo Mãe Cristina, todas têm tratamento igualitário e precisam ser comportadas em casa e na escola para continuar frequentando a sua Casa.

Projeto Girassol – Hoje, são 10 crianças assistidas pelo projeto. Elas aprendem músicas afro e brasileiras, aliando instrumentos musicais tradicionais e afro-brasileiros, com o professor Cristiano.

A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o Instituto Federal de Alagoas (IFAL) são parceiros do projeto. A Uneal doou os instrumentos e sempre que há necessidade repara-os. O Ifal, em 2016, chegou a doar uma tonelada de alimentos arrecadados numa gincana.

Em 2017, alunos do Ifal desenvolveram o premiado projeto “Meu mundo em versos: o resgate da literatura de cordel”, para crianças de 7 a 14 anos no terreiro Santa Bárbara, com a finalidade de desenvolver a sensibilidade e a capacidade reflexiva e criativa nos pequenos, facilitando o processo de ensino e aprendizagem.

Em razão da visita da Equipe 10 da FPI, as crianças organizaram uma emocionante apresentação de músicas, como Asa Branca, de Luiz Gonzaga; Aquarela, de Toquinho; Anunciação, de Alceu Valença, e o batuque próprio do maracatu.

Dificuldades – Como a Casa não cobra pela atuação religiosa praticada, depende exclusivamente das doações do público, especialmente o santanense. Há ainda preconceito, mas Mãe Cris prefere não reclamar “já foi pior, antes a Casa precisava ficar com as portas fechadas, agora estão sempre abertas”.

Para o procurador da República Bruno Lamenha, que acompanhou a visita, é comum que as comunidades tradicionais de terreiro não tenham conhecimento sobre as proteções legais que o governo brasileiro lhes garante. “O MPF tem o dever de proteger e fomentar as comunidades tradicionais. Preservar a memória e a cultura do povo negro é importante para todo brasileiro”, declarou.

Equipe 10 – Além de representantes do Ministério Público, a equipe Patrimônio Cultural/Comunidades Tradicionais conta também com a participação do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (SEMUDH), do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Secretaria Municipal de Assistência Social do Município de Coruripe.

Saiba mais sobre a proteção constitucional às comunidades tradicionais como os terreiros e sobre a umbanda aqui.

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